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Diego Cruz da redação (Portal do PSTU)
Encapuzados invadem sede da Conlutas em São José e atiram contra operários
Invasores pretendiam impedir fundação de associação de operários da Revap
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• Um crime bárbaro contra a livre organização dos trabalhadores.
Nesse dia 1º de agosto, sexta-feira, estava marcada a assembléia para
a fundação da associação dos trabalhadores terceirizados da
construção civil da Revap, a refinaria da Petrobras em São José dos
Campos (SP). Os operários resolveram fundar uma associação pois o
sindicato da categoria, ligado à CUT, é amplamente repudiado pela
base e não representa os interesses dos trabalhadores.

Ataque brutal
A assembléia começou às 18 horas na sede da Conlutas, no centro de
São José. Às 18h10, quando já havia 70 trabalhadores no prédio e
alguns operários ainda chegavam ao local, cerca de 60 homens
invadiram violentamente o prédio. Testemunhas afirmam que os
invasores chegaram ao local em um ônibus. Encapuzados e portando
armas de fogo de grosso calibre, depredaram o prédio e os carros
estacionados no local. "Estavam com escopetas, metralhadoras, bombas,
e todo tipo de arma; chegaram a atirar e soltar rojões contra os
trabalhadores", afirmou ao Portal do PSTU José Donizete de Almeida,
da Coordenação da Conlutas do Vale do Paraíba.

Um operário foi atingido por um tiro na mão. Os homens encapuzados
também roubaram a ata, estatuto e demais documentos da assembléia,
demonstrando a clara intenção de impedir a fundação da associação.
Permaneceram dez minutos no prédio e fugiram, deixando para trás um
rastro de destruição e quase uma vítima fatal.

"Exijo uma investigação profunda sobre esse ataque contra a livre
organização dos trabalhadores", afirmou Donizete. A organização da
associação ia contra muitos interesses. "A fundação da associação
desagradava a Petrobras, as empreiteiras e o sindicato da Construção
Civil, ligada à CUT", denunciou ainda Donizete.

Apesar do ataque e do seqüestro dos documentos, a associação foi
fundada. "Não vai ser isso que vai nos abalar, estamos com a cabeça
erguida e fundamos a associação, mesmo com o sangue dos
trabalhadores", declarou o dirigente da Conlutas, que ainda chamou a
todas as entidades do movimento sindical e popular a repudiar esse
bárbaro ataque.

Vitória contra os patrões e a CUT
Os trabalhadores da Construção Civil da Revap protagonizaram uma das
principais mobilizações operárias desse primeiro semestre. Indo
contra a direção do próprio sindicato, ligado à CUT, os trabalhadores
buscaram o apoio da Conlutas para realizar uma forte greve. A
mobilização durou um mês e terminou com uma contundente vitória.

A Petrobras e as empreiteiras, porém, foram para o ataque. Nas
últimas semanas anunciaram centenas de demissões, incluindo as
principais lideranças da greve. A direção da Petrobras chegou a
chamar e autorizar a entrada da tropa de choque na refinaria para
reprimir uma manifestação dos operários contra as demissões.

As mobilizações reforçaram para os trabalhadores a necessidade de uma
entidade alternativa ao sindicato cutista, amplamente repudiado na
base da categoria. O sindicato da CUT desconta mensalmente 1% dos
salários de todos os trabalhadores. Isso garante uma receita que
ultrapassa R$ 1 milhão ao ano, mesmo a entidade tendo pouquíssimos
filiados.

Daí dá pra se ter uma idéia dos interesses que estão contra a
organização independente dos operários da refinaria.




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